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Capa editorial em papel creme: manchete Vida real em Vancouver, folha de bordo vermelha e a silhueta da cidade de Vancouver.

EXPERIÊNCIAS PESSOAIS

Caio e Clara começaram uma live semanal: vida e trabalho em Vancouver

Experiências Pessoais 6 min de leitura Caio
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Caio e Clara estrearam uma live toda quinta à noite. No primeiro bate-papo num parque em Vancouver: devolução fácil, gorjeta, imposto na etiqueta e emprego.

Cara, ontem à noite eu e a Clara sentamos num banco de um parque aqui pertinho de casa, em Vancouver — tinha criança, tinha velho, tinha cachorro e tinha nós — e fizemos a nossa primeira live de verdade. A ideia é simples: toda quinta-feira, entre 22h e 23h pelo horário do Brasil, a gente liga a câmera e fala do Canadá, da nossa vida, de emprego, de como as coisas realmente são aqui. É tarde, eu sei, mas é o horário que sobra: é a hora que eu saio do trabalho e a hora que a Clara fecha o home office dela.

Eram umas três pessoas assistindo — uma delas era a própria Clara, então conta como duas. Mas tudo bem. A gente não vende nada, não ganha nada com isso, e foi exatamente por isso que dá pra falar a real. Nesse primeiro papo a gente acabou caindo em compras, gorjeta, imposto, emprego e saúde — os assuntos que ninguém conta direito nos vídeos bonitinhos de Instagram. Esse post é o resumo do que rolou, pra quem não conseguiu assistir ao vivo.

Por que a gente decidiu fazer uma live toda quinta?

A gente decidiu fazer uma live semanal toda quinta porque sente falta de um canal que simplesmente converse com você sobre como é viver em Vancouver — sem roteiro vendido, sem promessa de vida perfeita. Eu e a Clara moramos aqui e quase não vemos brasileiros tendo esse bate-papo honesto. O horário, entre 22h e 23h do Brasil, é o único que sobra: é quando eu saio do trabalho e ela fecha o home office.

A escolha da quinta é prática, não estratégica. Não estou ganhando dinheiro com isso, então não dá pra prometer produção de canal grande. O combinado com quem assiste é direto: manda a dúvida no comentário, diz de onde está falando, e se eu não souber responder na hora eu vou atrás e respondo depois. Canal pequeno tem essa vantagem — dá pra responder quase todo mundo.

Como funciona a devolução de produtos no Canadá?

A devolução no Canadá é absurdamente fácil: você comprou, não gostou, volta na loja com a etiqueta presa e o recibo dentro de uns 30 dias e pega o dinheiro de volta — sem precisar dar desculpa. Eu trabalhei em loja de roupa e depois de malas de luxo; a Clara trabalhou na Polo Ralph Lauren. Em nenhuma das duas o caixa pergunta o motivo. Ele só devolve, porque aqui isso é normal.

Tem lugar que vai além. No Costco e no Canadian Tire dá pra comprar, usar e devolver se não se adaptar — o Costco aceita até planta morta de volta. O exemplo que mais me marcou: dia 26 de dezembro o povo devolvendo a árvore de Natal que usou no dia 25. Eu não teria coragem, mas aqui a fila de devolução chega a ser maior que a de pagar. A pegadinha fica por conta do clearance (queima de estoque): item de final sale geralmente não tem devolução, e ninguém te avisa — só fica esperto e confirma no caixa.

Por que a gorjeta no Canadá virou polêmica?

A gorjeta virou polêmica porque tecnicamente é facultativa, mas na prática é “voluntariamente obrigatória”: antes de mostrar o valor total, a maquininha já te oferece a porcentagem da gorjeta — começando em 15%, 17%, 20%. Tem barbeiro que abre em 20% e vai até 38%. Se você dá 10%, dá pra sentir que acharam ruim. Em Vancouver, esse é um dos temas mais comentados no Instagram local.

A lógica que os próprios canadenses me explicaram é a do espaço: se você senta e come no restaurante, está usando o lugar — então a gorjeta faz sentido. Se é take out ou drive-through, você não está usando o espaço e não precisa. E uma regra de ouro nossa, de quem já trabalhou com atendimento: gorjeta só depois do serviço. Antes, não — porque ninguém na cozinha fica feliz de ser cobrado adiantado, e a comida ainda não saiu da vista deles.

Como é o mercado de trabalho para brasileiro em Vancouver?

O mercado de trabalho aqui é fácil e difícil ao mesmo tempo — depende quase tudo das suas conexões. Tem gente batendo na porta de loja há seis meses sem conseguir uma vaga entry level, e tem seguidor do canal que chegou e em um mês já estava empregado (eu mesmo indiquei um pro lugar onde a Clara trabalhava). Construção civil, que eu tentei no começo do ano, não está aquecida; faxina está um pouco mais difícil também.

E tem um detalhe que dói: você entrega o currículo qualificado e ainda assim começa de baixo. Eu e a Clara temos faculdade, pós e experiência, e o recado foi “é vendedor, salário mínimo, meio período, sem comissão” — porque a maioria das lojas aqui, inclusive as de luxo, não paga comissão. A parte boa do mesmo salário: o poder de compra é maior, dá pra ter um celular bom, um notebook, roupa de marca em clearance. É troca, não milagre.

O que mais surpreende um brasileiro recém-chegado a Vancouver?

O que mais surpreende é o conjunto de coisas pequenas que ninguém avisa. Primeiro, o preço da etiqueta não é o preço final: o imposto entra por cima no caixa — em roupa adulta deu uns 12% na nossa experiência, criança ~6%, e itens essenciais como leite e absorvente costumam ser isentos. Segundo, o frio de Vancouver é mais ameno e úmido que o do resto do Canadá, e as casas, ônibus e lojas são todos aquecidos — você só sente frio na rua, esperando o transporte.

A saúde foi o ponto mais sério da conversa. A gente nunca precisou usar, graças a Deus, mas o que a gente ouve de conhecidos é que a parte preventiva e o diagnóstico deixam a desejar — temos dois casos próximos, graves, que só foram descobertos no Brasil; o tratamento aqui depois foi bom e de graça. E sobre as rotas de imigração: hoje eu só viria com residência permanente pelo francês ou com oferta de trabalho. Faculdade privada eu não recomendo mais — fiz, sei o custo. Uma chamada recente de francês chamou 4.500 pessoas; uma chamada considerada excelente chama 1.000. O francês virou praticamente o único caminho.

Perguntas frequentes

Que dia e horário é a live do MorarFora?
Toda quinta-feira, entre 22h e 23h pelo horário do Brasil. É o horário possível porque é quando Caio sai do trabalho e Clara encerra o home office. Caio pretende programar a live com antecedência pra avisar o horário exato.
Como funciona a devolução de produtos no Canadá?
Em geral basta voltar à loja com a etiqueta presa e o recibo dentro de uns 30 dias — o caixa devolve o dinheiro sem pedir motivo. Costco e Canadian Tire aceitam até produtos usados. A exceção é o clearance (final sale), que normalmente não tem devolução; confirme no caixa antes de comprar.
A gorjeta é obrigatória no Canadá?
Não é obrigatória por lei, mas na prática é difícil escapar: a maquininha já oferece porcentagens começando em 15-20% antes do valor total. A regra que Caio e Clara seguem é dar gorjeta só depois do serviço, e ela faz mais sentido quando você usa o espaço do restaurante — em take out ou drive-through não é esperada.
É fácil arrumar emprego em Vancouver sendo brasileiro?
Depende muito de conexões. Tem gente que demora meses para conseguir uma vaga entry level e gente que consegue em um mês via indicação. Mesmo com faculdade, pós e experiência, o começo costuma ser salário mínimo, meio período e sem comissão na maioria das lojas.
Qual a melhor rota de imigração segundo o Caio hoje?
Hoje ele só viria com residência permanente pelo francês ou com uma oferta de trabalho. Não recomenda mais faculdade privada pelo custo. Uma chamada recente de francês selecionou 4.500 pessoas, enquanto uma chamada considerada excelente chama cerca de 1.000 — o francês virou praticamente o único caminho aberto.

Fontes


Próxima live: quinta-feira que vem, entre 22h e 23h pelo horário do Brasil. Manda sua dúvida nos comentários do canal — em canal pequeno, dá pra responder quase todo mundo.

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